Refluxo: a queixa mais frequente nos consultórios de pediatria

Hoje venho conversar um pouquinho sobre refluxo e doença do refluxo gastroesofágico, uma das queixas mais frequentes nos consultórios de pediatria e gastropediatria, que pela frequência elevada de vômitos, principalmente nos primeiros meses de vida, por muitas vezes causa angústia nos pais e mães.

Primeiramente precisamos conceituar o que é refluxo: consiste na passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, com ou sem regurgitação e/ou vômitos.

Pode ser considerado um processo normal fisiológico, que pode ocorrer várias vezes ao dia, após as refeições, em lactentes, crianças, adolescente e adultos, quando ocasionam poucos ou nenhum sintoma. Nos bebês é um evento fisiológico normal, que na grande maioria, resolve espontaneamente, com o crescimento, sem causar nenhum prejuízo ao bebê. Mas por outro lado quando esse refluxo causa sintomas ou complicações como: dor, irritabilidade, perda de peso, crises de engasgos com cianose entre outros sintomas, caracteriza doença do refluxo e nesse caso precisamos de um acompanhamento com Gastropediatra e, em algumas situações, além das medidas antirrefluxo, (que serão discutidas a seguir) será necessário também tratamento medicamentoso.

Na grande maioria das vezes esse refluxo é fisiológico, ou seja, é normal acontecer por que os bebês ao nascerem tem um tônus muscular mais diminuído e isso faz com que ocorra com mais facilidade os episódios de refluxo e por muitas vezes regurgitação e vômitos. E esse refluxo é denominado fisiológico, normal para idade que não causam nenhum prejuízo na saúde da criança, não requer um tratamento medicamentoso, usa-se apenas o que chamamos de medidas antirrefluxo, entre elas :

  • ficar com o bebê elevado de 20 a 30 min após as mamadas;
  • trocar a fralda sempre antes da alimentação;
  • ficar com a cabeceira elevada 30º;
  • evitar a alimentação muito próxima;
  • alimentar de 3 em 3 h, se possível.

Essas medidas diminuem o número de episódios de refluxo e consequentemente o número de regurgitação e vômitos.

O leite materno é sempre a primeira escolha mesmo no refluxo gastresofágico fisiológico, porém se o lactente está sendo alimentado por fórmulas existem aquelas especiais antirrefluxo.

Por fim, o diagnóstico diferencial entre o refluxo fisiológico e a doença do refluxo, infelizmente ainda não tem um exame padrão. O diagnóstico continua sendo clínico, ou seja, feito por um médico experiente. Se o bebê apresenta vômitos sem nenhum prejuízo clínico, é fisiológico e vai resolver com o crescimento, porém se o bebê tiver algum prejuízo clínico é conveniente procurar a orientação de um médico.

Dra. Jaqueline Teixeira Caldas

Especialista em pediatria com área de atuação em gastropediatria